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“Eu sou do meu amado e meu amado é meu” (Ct. 6,3a)

Meu nome é Ir. Andrea Leite Carvalho, Missionária da Consolata, e venho de uma cidadezinha chamada Carapicuíba, a poucos quilômetros da cidade de São Paulo, a maior cidade do Brasil. Meus pais vieram para São Paulo em busca de condições melhores de vida depois de sofrerem as consequências da seca no interior da Paraíba, no nordeste do país. Por mais que as dificuldades fossem muitas, eles fizeram de tudo para dar a mim e aos meus dois irmãos, melhores condições de vida e de estudo.

Minha infância e adolescência foram muito simples, frequentando escolas públicas e me esforçando para retribuir com dedicação aquilo que meus pais me ensinavam. Além da educação escolar, meus pais também me encaminharam na fé, transmitindo a nós os valores cristãos, evidenciando a importância de ter Deus nas nossas vidas.

Foi essa integridade entre os valores humanos e cristãos que me ajudou a chegar até aos meus primeiros anos como professa de votos temporários no Instituto das Irmãs Missionárias da Consolata. Tudo começou em 2006 quando eu tinha 14 anos de idade e participei de um encontro vocacional na minha capela de origem, dedicada a Santa Teresa de Jesus onde as Irmãs Missionárias da Consolata tinham sido convidadas a participarem.

Antes eu pensava que a minha aproximação das irmãs era só curiosidade mesmo, mas hoje sei que já era meu Amado que estava me chamando para segui-lo mais de perto e por caminhos que eu jamais imaginaria. Foi então que comecei a participar de encontros vocacionais internos na nossa Congregação e a entender aos poucos o que era a vida religiosa. Foi um caminho de muitos altos e baixos, cheios de dúvidas e incertezas, mas Deus nunca me deixou sozinha e sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu me afastava dele e pensava que outros caminhos eram melhores para mim.

Em 2016 eu decidi deixar tudo para receber o meu Tudo, mesmo sem saber ainda com exatidão como seria começar uma vida nova longe da minha família e de tudo que eu conhecia. No início respondi a um chamado que ardia dentro de mim e que mesmo que eu tentasse apagar, ele sempre voltava e me fazia lembrar de que Deus me escolheu para algo mais... Depois aos poucos, graças à nossa formação inicial, eu fui conhecendo ainda mais o Senhor e na medida que eu o conhecia, fui conhecendo também eu mesma, a minha história, os meus dons e o real motivo de querer segui-lo.

Passei pelas várias etapas da formação: Orientação Vocacional, Estudos Teológicos, Postulantado e Noviciado. Cada etapa me preparou para o grande passo que eu dei no dia 23 de março de 2024, em que professei os votos temporários de pobreza, castidade e obediência. Hoje vivo no Uzbequistão em uma comunidade que começamos a apenas 1 ano e estou muito feliz de ver como o Senhor conduz a minha vida de maneira muito superior do que eu poderia sonhar para mim!

Antes eu era uma jovem sempre em busca de preencher um vazio dentro de mim, queria somente sinais e respostas de Deus que me pudessem confirmar que estava no caminho certo para poder ter tranquilidade nas minhas escolhas, porém hoje eu quero muito mais! Hoje já não preciso de sinais para querer seguir a Deus, pois Ele conquistou meu coração e não tem nada nem ninguém que pode preencher o meu ser, somente Ele! Quero seguir os passos dele, amá-lo como Ele é e servir meus irmãos na missão ad gentes com a certeza de que cada pessoa que eu encontro, é merecedor de saber que Deus o ama e deseja ardentemente que volte para casa para receber esse amor infinito que nenhum de nós é capaz de dar um ao outro.

Eu sou continuamente consolada por Deus e quero compartilhar esse amor sem reservas, seguindo meu Amado onde Ele estiver e onde quiser que eu esteja! Sou feliz de pertencer à Família Consolata que me apresentou a Deus e me envia para levar ao mundo a verdadeira consolação, Jesus Cristo, o Filho Missionário do Pai, junto com a nossa Mãe Consolata.

Para você que está na procura da verdadeira vocação, não tenha medo de expor as suas dificuldades e dúvidas do coração a uma irmã, um padre ou até mesmo um casal que viva bem a vocação que escolheram, pois isso nos ajuda a ler os sinais de Deus e nos torna ainda mais abertos às graças que tanto necessitamos nessa jornada. Lembre-se: nosso Pai está sempre de braços abertos para nos acolher!

Houve algum momento na tua vida em que sentiste essa "voz interior" que a Ir. Andrea descreve, mas decidiste ignorá-la? O que aconteceu depois?

O que te impediria hoje de dar um passo em direção a algo que sentes que Deus está te pedindo?

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